top of page

Vaginose bacteriana causa infertilidade? Entenda a relação

  • 8 de jun.
  • 8 min de leitura

Atualizado: 8 de jun.


Vaginose Bacteriana causa infertilidade? O que a ciência já sabe


Talvez você esteja tentando engravidar, notou mudanças no corrimento, sentiu um cheiro diferente ou recebeu o diagnóstico de vaginose bacteriana (VB) e ficou com uma dúvida na cabeça: “Será que isso pode atrapalhar minha fertilidade?”. Você não está exagerando; essa preocupação faz sentido e é exatamente esse tipo de pergunta que a ciência vem tentando responder nos últimos anos.


A vaginose bacteriana e a infertilidade não têm uma relação de “causa e efeito” simples, como ligar um interruptor. Mas há evidências crescentes de que o desequilíbrio do microbioma vaginal pode aumentar o risco de problemas reprodutivos em algumas mulheres, especialmente quando há inflamação persistente, doença pélvica inflamatória (DIPA) ou tratamentos como fertilização in vitro (FIV).


destaque para bacteriose vaginal e infertilidade. remetendo ao cheiro de peixe que nem sempre está presente.

O que é vaginose bacteriana e por que o microbioma importa


A vaginose bacteriana é uma forma de disbiose vaginal: em vez de predominar lactobacilos protetores, como Lactobacillus crispatus, há um aumento de bactérias anaeróbias, incluindo Gardnerella vaginalis e outras associadas a inflamação. Isso eleva o pH vaginal, favorece corrimento com cheiro mais forte e deixa a mucosa mais vulnerável a infecções ascendentes.


O microbioma vaginal é o conjunto de microrganismos que habitam a vagina, com destaque para os lactobacilos que produzem ácido lático e ajudam a manter um ambiente ácido, anti-inflamatório e mais “amigável” para os espermatozoides. Quando essa proteção se perde, aumentam os riscos de infecções, doença inflamatória pélvica e complicações na gestação.


O que é infertilidade, afinal?


Infertilidade é definida, em geral, como a dificuldade de engravidar após 12 meses de relações sexuais regulares sem uso de métodos contraceptivos. Em mulheres acima de 35 anos, muitas diretrizes consideram 6 meses como ponto de atenção por conta da queda natural da reserva ovariana. Esse quadro pode envolver fatores femininos, masculinos ou ambos (infertilidade do casal), e muitas vezes há mais de uma causa atuando ao mesmo tempo.


Entre as principais causas femininas, estão alterações da ovulação (como na síndrome dos ovários policísticos), endometriose, fatores tubários (como sequelas de doença inflamatória pélvica - hidrossalpinge ou hematossalpinge), alterações uterinas e desequilíbrios hormonais.


Em até 15 a 30% dos casos, mesmo após investigação completa, a infertilidade permanece “sem causa aparente”, o que faz muitos pesquisadores olharem com mais atenção para o papel do microbioma genital.


VB e infertilidade: o que os estudos mostram até agora


Os estudos mais recentes não afirmam que a VB “causa” infertilidade de forma direta e isolada, mas mostram algumas associações importantes. Uma revisão com pacientes inférteis encontrou que a VB era significativamente mais frequente entre mulheres com infertilidade, especialmente aquelas com fator tubário (alterações das trompas).


Essa mesma análise mostrou que a VB não parece reduzir a taxa de concepção em si, mas está associada a maior risco de perda gestacional muito precoce, também chamada de “perda bioquímica” ou “gestação química”, antes mesmo de um ultrassom comprovar a gestação. Outros trabalhos apontam que a VB é mais comum em mulheres que fazem tratamentos de reprodução assistida e pode estar ligada a falhas de implantação em alguns casos.


Direto ao ponto

  • VB é mais comum em mulheres com infertilidade, especialmente quando há fator tubário.

  • Não há prova definitiva de que VB sozinha cause infertilidade, mas ela está ligada a caminhos que podem prejudicar a fertilidade, como doença inflamatória pélvica, endometrite crônica e inflamação persistente do trato genital.


Como a VB pode afetar a fertilidade


1. Relação com doença inflamatória pélvica (DIPA) e trompas


A doença inflamatória pélvica é uma infecção que atinge útero, trompas e ovários e é uma das principais causas de infertilidade tubária e gravidez ectópica. Revisões sobre VB e DIP mostram que a disbiose vaginal está associada a maior risco de cervicite, endometrite e salpingite, embora o elo causal direto ainda não esteja completamente estabelecido.


Na prática, isso significa que, se as bactérias associadas à VB sobem para o útero e trompas, podem gerar inflamação crônica, cicatrizes e obstrução tubária, o que dificulta a chegada do espermatozoide ao óvulo ou o transporte do embrião até o útero. Estudos com mulheres inférteis mostram que a VB é mais frequente em quem tem fator tubário do que em quem tem outras causas de infertilidade.


2. Inflamação e ambiente hostil para o esperma


A VB está ligada a aumento de citocinas inflamatórias e substâncias que danificam a mucosa vaginal e cervical. Esse cenário altera o muco cervical e pode dificultar o trânsito dos espermatozoides, além de aumentar o risco de o sistema imune “reagir” contra esses gametas.


Alguns estudos sugerem que esse ambiente inflamatório, com pH elevado e menor presença de lactobacilos, pode reduzir a viabilidade e a motilidade espermática, diminuindo a chance de fertilização, especialmente quando a disbiose é persistente. Por outro lado, microbiomas dominados por Lactobacillus (principalmente L. crispatus) estão associados a melhores desfechos reprodutivos em diferentes cenários.


3. VB, FIV e implantação embrionária


Mulheres em tratamento de fertilização in vitro representam um grupo importante para estudar essa relação, porque o acompanhamento é muito mais próximo. Uma meta-análise de estudos sobre disbiose vaginal e FIV encontrou que um microbioma não dominado por lactobacilos se associa a piores taxas de implantação e gravidez, bem como a maior risco de perdas precoces. na gravidez


Em estudos específicos, mulheres com microbioma vaginal dominado por L. crispatus apresentaram taxas mais altas de implantação embrionária e nascidos vivos após FIV, comparadas a aquelas com microbioma disbiótico (desequilibrado )ou dominado por outras espécies. Isso reforça a ideia de que não é apenas “não ter VB”, mas sim manter um microbioma saudável e estável, que pode fazer diferença nas chances de sucesso.


VB e risco de aborto espontâneo


A relação entre VB e aborto é complexa e depende do momento da gestação. Alguns estudos em pacientes de FIV sugerem que a VB está ligada a maior taxa de perda gestacional precoce (por volta de 31,6% em mulheres com vaginose bacteriana, versus cerca de 18,5% em mulheres com flora considerada saudável), especialmente nas primeiras semanas.


Análises mais recentes do microbioma mostram que reduções marcantes de lactobacilos e aumento da diversidade de bactérias na vagina estão associadas a maior risco de aborto no primeiro trimestre em determinadas populações. Ao mesmo tempo, há mulheres com microbioma menos dominado por lactobacilos que têm gestações saudáveis, o que indica que a inflamação e outros fatores imunológicos também pesam muito.


Tratar VB melhora a fertilidade?


Essa talvez seja a pergunta que você mais quer ver respondida. E aqui a ciência ainda não é conclusiva. Diretrizes e revisões recentes sugerem que diagnosticar e tratar VB, endometrite crônica e doença inflamatória pélvica antes de tentar engravidar pode ser uma peça importante do cuidado pré-concepcional, especialmente em mulheres com sintomas ou histórico de perda gestacional e falhas de implantação.


Por outro lado, alguns estudos não encontraram benefício claro de tratar VB assintomática apenas com foco em aumentar taxas de sucesso de FIV, o que mostra que ainda faltam ensaios clínicos robustos para guiar condutas universais. Além disso, a VB tem alta taxa de recorrência, e muitos autores defendem que a restauração do microbioma envolve não só antibióticos, mas também probióticos, manejo de ISTs, hábitos de higiene menos agressivos e suporte à saúde global.


Como cuidar do microbioma vaginal se quer engravidar


Mesmo que a VB não seja “a” causa isolada da infertilidade, cuidar do microbioma vaginal é uma estratégia lógica e alinhada com as evidências atuais de saúde reprodutiva.

Alguns pontos que a literatura e diretrizes reforçam:


  • Evitar duchas vaginais e produtos perfumados internos, que removem lactobacilos e elevam o pH.


  • Priorizar sexo seguro, especialmente com novos parceiros ou múltiplos parceiros, para reduzir ISTs que agravam a disbiose e aumentam o risco de DIPA.


  • Considerar probióticos com lactobacilos, principalmente após uso de antibióticos ou em quadros recorrentes, de preferência com orientação profissional.


  • Investigar corrimentos recorrentes, dor pélvica, sangramentos irregulares e suspeita de DPI com ginecologista, pois alterações silenciosas das trompas e do endométrio podem impactar a fertilidade.





A autocoleta vaginal é um método pelo qual a própria mulher coleta a amostra dentro de casa, seguindo instruções simples, para análise laboratorial do microbioma vaginal, HPV e ISTs por técnicas moleculares. Essa abordagem permite rastrear disbiose, BV, candidíase, ISTs e alterações associadas à fertilidade sem a necessidade imediata de um exame ginecológico presencial, o que pode ser decisivo para quem adia consultas por vergonha, custo ou falta de tempo.


Na See Me, o teste de microbiota vaginal é feito por autocoleta com laudo detalhado e teleconsulta para interpretação e prescrição de tratamento personalizado, quando indicado. Para quem está tentando engravidar ou planeja engravidar nos próximos meses, esse tipo de check-up íntimo pode ajudar a identificar desequilíbrios silenciosos e ajustar o cuidado antes que eles impactem a fertilidade.



FAQ

VB pode impedir completamente uma gravidez?

A vaginose bacteriana, sozinha, raramente impede completamente que uma gravidez aconteça, mas pode se somar a outros fatores e tornar o caminho mais difícil. O maior risco parece estar relacionado a problemas de trompas, inflamação crônica e perdas gestacionais muito precoces, especialmente em contextos como FIV ou histórico de repetidas falhas de implantação.


O que acontece se a VB não for tratada?

VB não tratada aumenta o risco de doença inflamatória pélvica, que pode causar cicatrizes nas trompas, dor crônica e maior risco de gravidez ectópica, além de facilitar a entrada e a persistência de IST como clamídia e gonorreia. Em gestantes, a disbiose vaginal está ligada a maior risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e infecções pós-parto em diversos estudos, embora o impacto do tratamento em todos esses desfechos ainda esteja em avaliação.


VB causa trompas obstruídas?

VB não “fecha” as trompas diretamente, mas aumenta a chance de infecções ascendentes que levam à doença inflamatória pélvica. A DIPA, por sua vez, é uma causa bem estabelecida de dano e obstrução tubária, o que pode dificultar a passagem do espermatozoide e do embrião e, consequentemente, reduzir as chances de gravidez natural.


Como o Teste da See Me pode ajudar?

O teste de microbioma vaginal da See Me avalia a presença de VB, candidíase, desequilíbrios de lactobacilos, ISTs e HPV de alto risco por meio de DNA-PCR em amostra coletada em casa. Com isso, é possível mapear o ambiente vaginal de forma detalhada, identificar se há disbiose relevante para a fertilidade e, em teleconsulta, alinhar o tratamento e as estratégias de manutenção do microbioma saudável de acordo com o seu plano reprodutivo.


Se você sente que algo “não está normal” no seu corrimento, no cheiro ou na sua fertilidade, não precisa lidar com isso sozinha: a autocoleta da See Me em seeme.life/comprar pode ser o primeiro passo para entender o que está acontecendo e levar essa informação para um cuidado realmente personalizado. www.seeme.life/comprar

Referências Bibliográficas:


  1. Van Oostrum N, De Sutter P, Meys J, Verstraelen H.Risks associated with bacterial vaginosis in infertility patients: a systematic review and meta-analysis.Human Reproduction. 2013;28(7):1809–1815.

  2. Rasheed SM, Abdelmonem MA, Amin AF, Abeer MA.Bacterial vaginosis and infertility: cause or association? European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology. 2013;167(1):59–63.

  3. Turpin R, Tuddenham S, He X, Klebanoff MA. Bacterial Vaginosis and Behavioral Factors Associated With Incident Pelvic Inflammatory Disease in the Longitudinal Study of Vaginal Flora. J Infect Dis. 2021 Aug 16;224(12 Suppl 2):S137-S144. doi: 10.1093/infdis/jiab103.

  4. Taylor BD, Darville T, Haggerty CL.Does bacterial vaginosis cause pelvic inflammatory disease?Sexually Transmitted Diseases. 2013;40(2):117–122.

  5. Väinämö S et al., Longitudinal analysis of vaginal microbiota during IVF fresh cycles.Microbiol Spectr. 2023 Dec 12;11(6):e0165023. doi: 10.1128/spectrum.01650-23.

  6. Fasoulakis, Z.; Papageorgiou, D.; Papanikolaou, A. Impact of the Female Genital Microbiota on Outcomes of Assisted Reproductive Techniques. Biomedicines 202513, 1332.

  7. Maksimovic Celicanin M, Haahr T, Humaidan P. Vaginal dysbiosis - the association with reproductive outcomes in IVF patients: a systematic review and meta-analysis. Curr Opin Obstet Gynecol. 2024 Jun 1;36(3):155-164. doi: 10.1097/GCO.0000000000000953.

  8. CDC – Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines: Bacterial Vaginosis.Seção sobre BV, infecções ascendentes, DIP e complicações reprodutivas.




Comentários


Não é mais possível comentar esta publicação. Contate o proprietário do site para mais informações.
bottom of page