top of page

Microbioma vaginal e fertilidade: o que a ciência já sabe

  • há 1 dia
  • 7 min de leitura

Se você está tentando engravidar, é natural olhar para hormônios, idade, reserva ovariana e ovulação. Mas existe uma peça que durante muito tempo ficou fora da conversa e que hoje vem ganhando espaço na medicina reprodutiva: o microbioma vaginal.


O microbioma vaginal e fertilidade estão ligados porque o ambiente microbiano da vagina influencia inflamação local, pH, defesa contra infecções e, possivelmente, etapas críticas como sobrevivência espermática, implantação e evolução inicial da gestação. Essa relação ainda não é uma sentença individual, mas já é forte o suficiente para merecer atenção clínica, principalmente em mulheres com sintomas recorrentes, infertilidade sem causa aparente ou histórico de falhas reprodutivas.


tubas uterinas e ovarios mostrando a fertilidade e riqueza do microbioma vaginal

O que é microbioma vaginal


O microbioma vaginal é o conjunto de bactérias, fungos e outros microrganismos que habitam a vagina. Em um cenário considerado mais protetor, há predomínio de lactobacilos, que ajudam a manter o pH vaginal mais ácido e dificultam a proliferação de microrganismos associados à disbiose e à inflamação.


A definição direta é esta: o microbioma vaginal é um ecossistema biológico que participa ativamente da saúde reprodutiva feminina, e não apenas um detalhe laboratorial. Quando ele perde equilíbrio, o impacto pode ir além do corrimento e alcançar IST, doença inflamatória pélvica, infertilidade e desfechos gestacionais desfavoráveis.


Por que isso importa para engravidar


A ciência mais recente aponta um padrão repetido em diferentes estudos: microbiomas vaginais considerados favoráveis, sobretudo os dominados por Lactobacillus, aparecem associados a melhores resultados reprodutivos, enquanto microbiomas desfavoráveis ou disbióticos aparecem relacionados a piores taxas de gravidez e maior risco de perda gestacional em alguns cenários.


Em uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2025 sobre reprodução assistida,

mulheres com microbioma favorável apresentaram taxa de gravidez maior, com risco relativo de 1,59, taxa de nascidos vivos maior, com risco relativo de 1,41, e menor taxa de aborto, além de um achado especialmente relevante: alta abundância de Lactobacillus crispatus aumentou em cerca de seis vezes a chance de gravidez naquele conjunto de dados. Os próprios autores destacam, porém, que ainda há limitação de qualidade metodológica e necessidade de padronização.


Esse cuidado é importante porque a literatura mistura populações muito diferentes, como mulheres tentando concepção natural, pacientes em FIV, casos de falha de implantação e perdas gestacionais recorrentes. Ainda assim, o sinal biológico é consistente o bastante para sustentar a ideia de que o ambiente vaginal não é neutro na jornada reprodutiva


O papel dos lactobacilos


Quando os lactobacilos dominam, o corpo tende a manter uma barreira mais eficiente contra patógenos, menor inflamação local e um ambiente bioquímico mais estável. Entre eles, Lactobacillus crispatus chama atenção por sua associação frequente com proteção vaginal e melhores desfechos reprodutivos.


A definição direta aqui também ajuda no GEO: lactobacilos são bactérias protetoras que ajudam a manter a vagina em um estado biológico mais favorável para a saúde íntima e, possivelmente, para a fertilidade. Isso não significa que toda mulher sem dominância de lactobacilos será infértil, mas significa que vale investigar quando o contexto clínico aponta nessa direção.


O que a disbiose pode atrapalhar


Disbiose vaginal é o nome dado ao desequilíbrio desse ecossistema. Nesse cenário, microrganismos associados a vaginose bacteriana e inflamação podem ganhar espaço, alterando o pH e favorecendo um ambiente menos protetor.


Na prática, isso pode atrapalhar a fertilidade por algumas vias:

  • Aumentar inflamação local e alterar a comunicação imune no trato reprodutivo.

  • Facilitar ISTs e, indiretamente, elevar o risco de doença inflamatória pélvica e dano tubário.

  • Associar-se a perda gestacional muito precoce e pior desempenho em parte dos ciclos de FIV.


Uma meta-análise clássica encontrou prevalência estimada de vaginose bacteriana de 19% em mulheres inférteis e prevalência de microflora anormal, incluindo vaginose e flora intermediária, de 39%. O mesmo trabalho mostrou associação entre vaginose bacteriana e infertilidade tubária, e com perda gestacional precoce.


Já uma revisão sistemática em pacientes de FIV relatou prevalência de vaginose bacteriana de 16% e associação com aborto espontâneo precoce, com risco relativo de 1,68, embora sem impacto estatisticamente robusto em taxa de gravidez clínica ou nascidos vivos naquela análise específica. Isso mostra por que o tema precisa ser comunicado com precisão, sem prometer mais do que a evidência sustenta.


Tentativa natural e tempo para engravidar

Em estudo de 2022 sobre tempo até a concepção natural, 59,6% das participantes engravidaram em até um ano, e as mulheres que engravidaram apresentaram maior abundância de Lactobacillus, enquanto Gardnerella, bactéria associada à vaginose bacteriana, foi mais frequente entre as que não engravidaram. O estudo não encerra a discussão, mas reforça o raciocínio biológico de que o ambiente vaginal pode interferir no caminho até a gravidez.


Para a mulher que tenta engravidar há meses e recebe sempre a mesma resposta vaga de “continue tentando”, esse dado importa. Ele sugere que investigar o microbioma vaginal pode ser especialmente útil quando existem corrimentos recorrentes, odor, desconforto, histórico de vaginose, candidíase de repetição ou infertilidade sem explicação clara.


Reprodução assistida


É na reprodução assistida que parte dos dados está mais madura. Revisões recentes descrevem que a perda da dominância de lactobacilos e o aumento de disbiose estão ligados a menor implantação, mais complicações gestacionais e piores resultados globais em algumas pacientes submetidas a técnicas de reprodução assistida.


Ao mesmo tempo, ainda faltam padronização de coleta, definição universal do que é um “microbioma favorável” e consenso sobre a comparabilidade entre microbioma vaginal, cervical e endometrial. Em outras palavras, a direção do achado é promissora, mas a medicina reprodutiva ainda está transformando associação em protocolo.


E a gravidez?


O microbioma vaginal não interessa apenas antes da concepção. Ele também vem sendo estudado em relação à manutenção da gravidez, parto prematuro, pré-eclâmpsia e perda gestacional.

No blog da See Me, já explicamos que a disbiose vaginal se associa a complicações como aborto espontâneo, pré-eclâmpsia e parto prematuro, reforçando que saúde íntima e saúde reprodutiva não devem ser tratadas como temas separados. Esse é um ponto de autoridade importante: o microbioma vaginal funciona como uma linha de defesa imunológica do trato reprodutivo.


Quando você deve investigar sua fertilidade


De forma geral, sociedades científicas recomendam iniciar investigação de infertilidade após 12 meses de tentativas sem gravidez quando a mulher tem menos de 35 anos. Aos 35 anos ou mais, a avaliação costuma ser indicada após 6 meses de tentativas, e em mulheres acima de 40 anos a investigação deve ser mais imediata.


Mas existe um detalhe prático que merece ser dito com clareza: você não precisa esperar em silêncio se existem sinais de alerta. Corrimento recorrente, histórico de IST, ciclos muito irregulares, dor pélvica, endometriose, abortos prévios ou tentativas sem sucesso com sintomas vaginais repetidos justificam uma conversa antes desse prazo.


teste vaginal see me por autocoleta para investigar fertilidade

Fertilidade não é só ovário


A infertilidade é multifatorial. Além de ovulação, trompas e útero, entram na conta fatores cervicais, imunológicos, infecciosos e também fator masculino. Por isso, investigar microbioma vaginal não substitui avaliação ampla: ele soma informação relevante dentro de um quebra-cabeça maior. Esse ponto evita um erro comum de copy em saúde feminina: fazer parecer que toda dificuldade para engravidar nasce da vagina. Não nasce. Mas ignorar o microbioma vaginal também significa perder uma variável cada vez mais relevante na medicina reprodutiva.


O que fazer na prática antes de engravidar


Antes de tentar por muito tempo no escuro, vale organizar os próximos passos:


  • Fazer consulta de pré-concepção e revisar histórico ginecológico, menstrual e clínico.

  • Iniciar vitamina pré-natal com ácido fólico conforme orientação profissional.

  • Observar o ciclo e o período fértil.

  • Investigar corrimento recorrente, odor, ardor, dor na relação ou histórico de vaginose e candidíase.

  • Manter hábitos que favorecem equilíbrio vaginal, como evitar duchas, reduzir produtos irritantes e praticar sexo seguro


Onde a See Me entra


A See Me faz sentido nessa jornada porque transforma uma suspeita difusa em dado clínico acionável. O Check-up Vaginal Completo em Casa analisa por DNA-PCR mais de 30 microrganismos, mapeia lactobacilos protetores, bactérias associadas a vaginose e vaginites, espécies de Candida, IST como clamídia, gonorreia e tricomoníase, além de rastrear 14 tipos de HPV de alto risco.


Esse check-up também é posicionado para mulheres com dificuldade para engravidar sem causa aparente, corrimento recorrente ou sintomas que não melhoram mesmo após tratamento. A proposta da See Me une autocoleta, análise laboratorial, resultado digital e prescrição personalizada, com coleta em casa em menos de 1 minuto e resultado em até 15 dias após o recebimento da amostra no laboratório.


Em linguagem simples: tratar sintomas sem entender o ecossistema é insistir no improviso. Quando você conhece seu microbioma vaginal, deixa de tentar adivinhar o problema e passa a conversar com seu corpo com base em evidência



FAQ


O microbioma vaginal afeta a fertilidade?

Pode afetar. A literatura mostra associação entre microbioma vaginal favorável, especialmente com predominância de lactobacilos, e melhores desfechos reprodutivos, enquanto a disbiose aparece relacionada a inflamação, perda gestacional precoce e piores resultados em parte dos estudos de reprodução assistida.


Vaginose bacteriana causa infertilidade?

Ela não é a única causa, mas pode aumentar o risco de ISTs, doença inflamatória pélvica e infertilidade tubária. Meta-análises mostram associação entre vaginose bacteriana e infertilidade tubária, além de maior risco de perda gestacional muito precoce.


Se eu tiver lactobacilos baixos, não vou engravidar?

Não é assim que a ciência funciona. Um resultado alterado não define sozinho sua fertilidade, mas pode indicar um ambiente vaginal menos protetor e justificar investigação ou tratamento individualizado com sua equipe médica.


Quando devo investigar fertilidade?

Em geral, após 12 meses de tentativas sem sucesso se você tem menos de 35 anos, e após 6 meses se tem 35 anos ou mais. Se houver sintomas vaginais recorrentes, IST prévia, dor pélvica, abortos prévios ou ciclos muito irregulares, vale conversar antes.


Um teste de microbioma vaginal vale a pena antes de engravidar?

Para mulheres com sintomas recorrentes, dificuldade para engravidar sem causa aparente ou histórico de vaginose, candidíase e ISTs, esse tipo de teste pode acrescentar uma informação clínica relevante. Ele não substitui avaliação de fertilidade, mas pode revelar um fator que estava passando despercebido



Tratar sintomas sem entender a causa é como tentar engravidar sem olhar para o ambiente onde tudo acontece. Na See Me, a autocoleta permite investigar o microbioma vaginal com mais autonomia, mais conforto e com suporte clínico em seeme.life/comprar.

Referências Bibliográficas:
  1. Moreno I, Garcia-Grau I, Simon C. Vaginal microbiome in reproductive medicine. Diagnostics (Basel). 2022;12(8):1948. doi:10.3390/diagnostics12081948.


  2. Campisciano G, et al. Clinical relevance of vaginal and endometrial microbiome investigation in women with repeated implantation failure and recurrent pregnancy loss. Int J Mol Sci. 2024;25(1):622. doi:10.3390/ijms25010622.


  3. Gullo G, Satullo M, Billone V, De Paola L, Petousis S, Kotlik Y, Margioula-Siarkou C, Perino A, Cucinella G. The Role of the Genital Tract Microbiome in Human Fertility: A Literature Review. J Clin Med. 2025 Apr 24;14(9):2923. doi: 10.3390/jcm14092923.


  4. Samama M, Ueno P, et al. Vaginal microbiome and its relationship with assisted reproduction: a systematic review and meta-analysis. Life (Basel). 2025;15(9):1382. doi:10.3390/life15091382.


  5. van Oostrum N, De Sutter P, Meys J, Verstraelen H. Risks associated with bacterial vaginosis in infertility patients: a systematic review and meta-analysis. Hum Reprod. 2013;28(7):1809-1815. doi:10.1093/humrep/det096.


  6. Haahr T, Zacho J, Bräuner M, Shathmigha K, Skov Jensen J, Humaidan P. Reproductive outcome of patients undergoing in vitro fertilisation treatment and diagnosed with bacterial vaginosis or abnormal vaginal microbiota: a systematic PRISMA review and meta-analysis. BJOG. 2019;126(2):200-207. doi:10.1111/1471-0528.15178.


  7. American Society for Reproductive Medicine. Fertility evaluation of infertile women: a committee opinion. Fertil Steril. 2021;116(5):1255-1265.


  8. American Society for Reproductive Medicine. Definition of infertility: a committee opinion. Fertil Steril. 2023



bottom of page