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Endometriose e microbioma vaginal: o que a ciência já sabe

  • há 15 horas
  • 6 min de leitura

Corrimento que volta depois de cada ciclo de tratamento, candidíase que não cede de vez, ressecamento que ninguém explica direito. Quem vive com endometriose conhece essa lista. O que quase ninguém conecta é que parte desses sintomas pode ter origem no microbioma vaginal, alterado pela própria inflamação da doença ou, mais frequentemente, pelos tratamentos hormonais que a controlam.

imagem de mulher apertando a barriga por dor abdominal causada pela endometriose

A endometriose é uma doença crônica inflamatória em que tecido semelhante ao endométrio (revestimento interno do útero) cresce fora do útero, como nos ovários, trompas e, em casos mais graves, em outros órgãos e regiões do corpo (endometriose extrapélvica). Essa inflamação sistêmica e as flutuações hormonais que acompanham a doença e seus tratamentos podem afetar diretamente o microbioma vaginal, embora a ciência ainda esteja mapeando exatamente como.


O que as pesquisas dizem sobre endometriose e microbioma vaginal


O microbioma vaginal é o conjunto de microrganismos que habitam a vagina. Em mulheres saudáveis em idade reprodutiva, ele é dominado pelos lactobacilos (Lactobacillus crispatus, L. iners, L. gasseri e L. jensenii), que mantêm o pH vaginal ácido e protegem contra infecções. Quando esse equilíbrio se rompe, o resultado é a disbiose: uma flora (microbiota) desequilibrada, associada a infecções recorrentes, inflamação local e maior vulnerabilidade a infecções sexualmente transmissíveis (IST).


A pergunta que pesquisadores têm feito é direta: mulheres com endometriose apresentam um microbioma vaginal diferente de mulheres sem a doença? A resposta honesta, em 2025, é: talvez, mas ainda não sabemos com certeza suficiente para dizer que sim de forma categórica.


Uma revisão sistemática que analisou 28 estudos sobre microbioma e endometriose concluiu que os dados disponíveis são heterogêneos demais para uma conclusão sólida. Os estudos diferem no ponto de coleta da amostra (vagina, colo do útero ou endométrio), no tamanho das populações, no método de diagnóstico da endometriose e nas bactérias identificadas. Alguns encontraram maior prevalência de Atopobium vaginae (hoje renomeado Fannyhessea vaginae) em pacientes com endometriose; outros encontraram o resultado oposto. Um terceiro levantou possível implicação do Fusobacterium. Correlação não é causalidade: não está claro se essas bactérias contribuem para a doença, se são consequência dela, ou se aparecem por influência dos tratamentos.


O papel do estrogênio: o mecanismo mais bem estabelecido


Aqui está a conexão mais sólida entre as duas condições: os lactobacilos dependem do estrogênio para sobreviver e manter o tecido vaginal saudável. E boa parte dos tratamentos hormonais para endometriose tem como objetivo exatamente reduzir os níveis de estrogênio.


Medicamentos como os agonistas e antagonistas do GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas), usados para induzir uma menopausa medicamentosa temporária e controlar a progressão da doença, provocam uma queda abrupta no estrogênio. Essa queda depleta a população de lactobacilos na vagina, levando ao que a literatura chama de síndrome geniturinária da menopausa, anteriormente chamada atrofia vulvovaginal. Segundo dados da literatura médica, os sintomas dessa síndrome são mais intensos com os medicamentos de supressão mais forte, como os agonistas de GnRH de depósito.


Sintomas vaginais que merecem atenção no protocolo de cuidado


A disbiose associada ao baixo estrogênio não é rara em quem faz tratamento para endometriose, mas é subestimada. Os sintomas que podem aparecer ou se intensificar incluem: ressecamento vaginal; irritação, ardência ou coceira; dor durante a relação sexual (dispareunia); infecções urinárias recorrentes; candidíase de repetição; e vaginose bacteriana.


O problema: esses sintomas são frequentemente atribuídos à endometriose em si, ao desgaste do tratamento, ou à menopausa induzida, sem investigar o estado do microbioma. Sem essa investigação, o protocolo segue genérico: resolve o sintoma agudo, mas não identifica a disbiose instalada que mantém o ciclo de recorrências.


kit de autocoleta para microbioma vaginal, IST e HPV com caixa azul e braca da See Me


Por que avaliar o microbioma vaginal quando se tem endometriose


A endometriose afeta aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva, segundo estimativas da literatura científica, com diagnóstico frequentemente atrasado por anos desde o início dos sintomas. Nesse intervalo, sintomas de saúde vaginal se acumulam sem receber atenção específica dentro do protocolo de cuidado.


Avaliar o microbioma vaginal por análise molecular oferece uma fotografia objetiva da flora: quais microrganismos estão presentes, em que proporção, e se há disbiose instalada. Esse dado permite ao médico ajustar o protocolo com base na biologia real da paciente, não no protocolo padrão que trata todas as mulheres como se fossem idênticas.


Para mulheres em tratamento hormonal para endometriose, especialmente as que usam medicamentos que suprimem o estrogênio, monitorar o microbioma ao longo do tratamento pode identificar precocemente a disbiose e orientar intervenções antes que as infecções recorrentes se instalem.


Tratar infecções recorrentes sem avaliar o microbioma é apagar fumaça sem saber de onde vem o incêndio. O Teste See Me oferece autocoleta em casa, análise laboratorial por biologia molecular, interpretação clínica estruturada e telemedicina integrada para o tratamento adequado. Para mulheres com endometriose que vivem em ciclos de sintomas vaginais sem resposta clara, é o primeiro passo para entender o que está acontecendo na sua microbiota. Saiba mais em seeme.life.

O que já é certo e o que ainda precisamos aprender


A relação direta entre endometriose e microbioma vaginal ainda precisa de estudos com amostras maiores, metodologia padronizada e seguimento longitudinal. O que já é bem estabelecido é que os tratamentos hormonais para endometriose afetam o microbioma vaginal pela via do estrogênio, e que essa alteração tem consequências clínicas concretas para a saúde íntima.


Endometriose e microbioma vaginal são dois temas que precisam ser avaliados em conjunto pelo time assistencial. A saúde íntima de quem vive com endometriose não começa e termina no controle da doença. Ela inclui a ecologia vaginal que sustenta o equilíbrio, a fertilidade e a qualidade de vida.



FAQ (perguntas frequentes)


Endometriose causa alteração no microbioma vaginal?

A ciência ainda não tem uma resposta definitiva. Estudos existentes mostram resultados contraditórios, com tamanhos de amostra pequenos e metodologias diferentes. O que está bem documentado é que os tratamentos hormonais para endometriose, especialmente os que reduzem o estrogênio, afetam diretamente o microbioma vaginal ao diminuir a população de lactobacilos protetores.


Por que infecções vaginais são mais comuns em quem usa tratamento hormonal para endometriose?

Os lactobacilos que protegem a vagina dependem do estrogênio para se multiplicar. Medicamentos que induzem menopausa medicamentosa, como agonistas e antagonistas do GnRH, reduzem o estrogênio de forma significativa. Com menos estrogênio, a população de lactobacilos cai, o pH vaginal sobe, e o ambiente se torna mais suscetível a candidíase, vaginose e outras infecções.


Como o microbioma vaginal pode ser avaliado em mulheres com endometriose?

Por análise molecular da amostra vaginal, que identifica por biologia molecular quais microrganismos estão presentes e em que proporção. Essa análise pode ser feita por autocoleta em casa, sem necessidade de visita presencial ao ginecologista. O resultado informa o médico sobre o estado atual da flora e orienta ajustes no protocolo de cuidado.


Mulheres com endometriose têm mais risco de disbiose vaginal?

Não há evidência consolidada de que a endometriose em si cause disbiose vaginal de forma direta. Mas o contexto clínico (inflamação crônica, flutuações hormonais, tratamentos de supressão estrogênica) cria condições que favorecem o desequilíbrio da flora vaginal. Monitorar o microbioma ao longo do tratamento é uma prática clínica que faz sentido, especialmente em mulheres com sintomas vaginais recorrentes.


Se você tem endometriose e convive com sintomas vaginais recorrentes, o microbioma merece atenção específica dentro do seu protocolo de cuidado. Conheça o Teste See Me, com autocoleta em casa, análise molecular laboratorial e telemedicina integrada para tratamento. Acesse seeme.life e entenda o que está acontecendo na sua flora.
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