top of page

Lactobacilos e Saúde Vaginal - Desvendando seu Microbioma, Parte II.

  • 12 de dez. de 2023
  • 3 min de leitura

Atualizado: 26 de abr.

Na Parte I desta série, você conheceu os lactobacilos e entendeu como eles protegem o microbioma vaginal. Agora vamos um passo além: a ciência mais recente mostra que o equilíbrio, ou desequilíbrio, desse ecossistema vai muito além da saúde íntima. Ele impacta diretamente a sua imunidade, fertilidade e saúde geral.


Múltiplos círculos em diferentes tons de vermelho que representam os diferentes microorganismos do microbioma vaginal

Seu Microbioma Vaginal É Parte da Sua Saúde Global

Durante muito tempo, a flora vaginal foi tratada como um assunto isolado, tipo "coisa de ginecologista". Pesquisas recentes mudaram completamente essa visão. Hoje sabemos que o microbioma vaginal funciona como uma linha de defesa imunológica do trato reprodutivo, influenciando desde a resposta a infecções até desfechos na gravidez e fertilização.


Quando esse equilíbrio é rompido, o ambiente vaginal se torna pró-inflamatório, a resposta imunológica local é reduzida e os outros órgãos da pelve, como útero, trompas, ovários,  ficam mais vulneráveis a agressores externos.


O Que o Desequilíbrio do Microbioma Pode Desencadear

Um microbioma vaginal desequilibrado cria um ambiente favorável para uma série de condições que vão muito além do corrimento ou da coceira. A literatura científica associa a disbiose vaginal a:

  • Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) — clamídia, tricomoníase, gonorreia, herpes, HIV e HPV encontram menos resistência em um ambiente vaginal desprotegido

  • Complicações na gravidez — incluindo aborto espontâneo, pré-eclâmpsia, parto prematuro e alterações no desenvolvimento fetal

  • Infertilidade — mulheres com infertilidade sem causa aparente apresentam maior incidência de microbioma vaginal alterado; a disbiose também reduz as chances de sucesso em ciclos de fertilização in vitro (FIV)

  • Doença Inflamatória Pélvica (DIP) — inflamação que pode afetar útero, trompas e ovários, com risco de sequelas definitivas

  • Cervicite — inflamação do colo do útero que, se não tratada, favorece lesões e maior susceptibilidade ao HPV

  • Síndrome do Choque Tóxico — condição rara, mas grave, associada ao desequilíbrio bacteriano

  • Cânceres ginecológicos — de colo do útero, ovário e endometrial, cujo risco é amplificado por um microbioma cronicamente inflamado

Quando os Lactobacilos Dominam, o Corpo Se Protege

O contrário também é verdadeiro: quando os lactobacilos predominam no microbioma vaginal, a barreira protetora se mantém forte, o pH ácido inibe os patógenos e a resposta imunológica local funciona com eficiência. Estudos confirmam que a predominância de Lactobacillus crispatus, em particular, está associada a melhores desfechos reprodutivos e menor risco de ISTs e cânceres ginecológicos.

Manter esse equilíbrio não é sorte, é estratégia.


O Seu Microbioma É Único e Precisa Ser Tratado Como Tal

Assim como a impressão digital, nenhum microbioma vaginal é igual ao outro. A composição da sua flora é influenciada por genética, fase da vida, hábitos alimentares, histórico de uso de antibióticos, nível de estresse, vida sexual e muito mais.


Por isso, tratar sintomas vaginais de forma genérica, sem conhecer o perfil real do seu microbioma, é o mesmo que tomar um remédio sem diagnóstico. A abordagem proativa, baseada em dados, é o que realmente faz diferença na saúde a longo prazo.


Como Proteger Seu Microbioma no Dia a Dia

Pequenos hábitos têm grande impacto na manutenção do equilíbrio vaginal:


  • Evite duchas vaginais e sabonetes com fragrância na região interna — eles eliminam os lactobacilos protetores

  • Use roupas íntimas de algodão — o tecido respira e evita o ambiente quente e úmido que favorece patógenos

  • Mantenha uma alimentação rica em fibras e fermentados — o eixo intestino-vagina é real e bem documentado

  • Considere probióticos com lactobacilos — especialmente após uso de antibióticos ou em períodos de infecções recorrentes

  • Gerencie o estresse — o cortisol elevado compromete diretamente o sistema imunológico e desequilibra a microbiota

  • Pratique sexo seguro — preservativos reduzem a exposição a micro-organismos que alteram o pH e o microbioma vaginal


Conhecer É Cuidar

Saber que seu microbioma é único e que ele impacta muito mais do que a saúde íntima muda a forma como você se cuida. A prevenção deixa de ser reativa — tratar quando o problema aparece — e passa a ser proativa: entender o que está acontecendo no seu corpo antes que os sintomas surjam.


Na Parte III desta série, vamos explorar como o teste de microbioma vaginal funciona na prática, e o que o resultado pode revelar sobre a sua saúde.

Texto revisado pela Dra. e Mestre Stephani Caser — ginecologista formada pela UNIFESP e especialista em saúde vaginal. LinkedIn da Dra. Stephani Caser

Quer conhecer o perfil real do seu microbioma vaginal?Com a autocoleta da See Me, você faz o teste em casa e recebe um relatório completo com orientação médica incluída.  seeme.life/comprar

Comentários


bottom of page